Uma proposta de Arqueologia Colaborativa com o povo Inỹ/ Karajá da Ilha do Bananal - Tocantins

Atualizado em 09/04/20 14:53.

Coordenador: Diego Teixeira Mendes

No presente projeto propomos a realização de uma pesquisa de arqueologia colaborativa com o povo Inỹ/Karajá da Ilha do Bananal (TO). A Ilha do Bananal está localizada na bacia do médio Araguaia e é caracterizada como área de transição (ecótono) entre os biomas do Cerrado e da Floresta Amazônica. Os Karajá pertencem ao tronco linguístico Macro-Jê e ocupam o seu território desde o século XVI segundo os registros etnohistóricos. Nos últimos anos foram levantadas hipóteses sobre a origem e a relação dos Karajá com outros grupos étnicos, como a proposta de Pétesch (1987) – os Iny como um grupo de posição intermediária no continuum Jê-Tupi - e de Rodrigues (2008) – que propõe os Iny o produto de uma fusão complexa entre povos de origem Arawak e Macro-Jê. Ao mesmo tempo os Inỹ/Karajá narram histórias sobre o seu passado e possuem sólidas interpretações sobre a materialidade (arqueológica) dispersa sobre o seu território. Apesar da grande potencialidade para a compreensão dos processos de ocupação indígena pré-coloniais a bacia do médio Araguaia é praticamente desconhecida de um ponto de vista arqueológico. Dessa forma, buscaremos por meio de surveys, escavações e análises de conjuntos artefatuais e coleções etnográficas construir junto com os Inỹ interpretações sobre os processos de ocupação humana pré-coloniais e históricos da Ilha do Bananal, tomando a materialidade arqueológica, as narrativas míticas e explicações nativas como eixos de pesquisa e reflexão.